Sunday, 31 August 2014

O uivo final





Estamos nas últimas: sem mais dias de férias, sem mais desculpas para ficar mais uns minutos
e sem vontade nenhuma de terminar. Mas mesmo a caminho de Lisboa, mais uma paragem:
a minha infância e o melhor Pão de Ló que conheço, o de Alfeizerão

Nos últimos quilómetros para entregar a nossa casa-andante, 
levamos a bagagem cheia de descobertas, a cabeça vazia de "problemas"
e a certeza de que este não é o fim da aventura, mas o início de muitas outras.

E neste momento, há um uivo que realmente queremos ouvir:
o do nosso cão quando chegarmos ao nosso lugar.






A todos os que seguiram o nosso diário de bordo,
obrigado e até à próxima.
E não, não encontrámos um único lobo. Infelizmente.

Thursday, 28 August 2014

São Martinho do Tradicional






Hoje não houve surpresas, nem praias secretas, nem improvisos.
Só lugares-comuns geracionais:
a neblina da manhã, o croissant prensado, comprar o jornal, mandar postais à família,
a praia cheia de crianças histéricas, alugar uma barraca, comer uma bola com berlim, um pôr-do-sol digno de último dia e descobrir que para além do Gaspar, existem também amêijoas-cão.
E nós amamos muito tudo isso.
Amanhã, rumo ao Sul.

Uma gralha contou-nos um segredo





Ontem viajámos mais para Sul, à procura do bom tempo.
E ainda a 200 km do Alentejo encontrámos uma paisagem que lhe podia pertencer:
uma praia pouco sabida, pouco pisada, pouco banhada mas até voada.
A Gralha foi o nosso tesouro do dia
e com ela voltou a sensação de o dia-a-dia ser um mito urbano.
Aqui na terra dos lobos imaginários, dificuldades em adormecer...
só se for por causa do calor.

Tuesday, 26 August 2014

On The Road





Hoje: 200km de estrada + 20 km de passeio de bicicleta para conhecer
a Praia do Poço da Cruz, a Praia de Mira
e jantar numa qualquer marquise com boa sopa de peixe e lulas grelhadas.
Mais um pedaço de Portugal naturalmente magnífico, mas com uma maquilhagem descuidada.
É pena. Resta-nos guardar na bagagem os mais singelos encantos e seguir viagem.

Monday, 25 August 2014

Speechless in Minho




Subimos até ao fim de Portugal e largámos a âncora em Vila Praia.
Encontramos poiso numa aldeia junto ao rio
e depois de enterrar o carvão do jantar,
recolhemos com a repetição lenta da corrente.

Agonizando por Você






Ontem: dia de blackout na net, mas jornada cheia de surpresas.
Após chegada a Viana do Castelo, estacionámos a Nanda junto à praia
e adivinhava-se uma boa sessão de pé na areia e sol. Wrong!
Esperava-nos uma tempestade de areia e kitesurfers. Fugimos.

Passámos a ponte e fomos ao centro. Mais uma lotaria dupla.
Primeiro o jantar na Tasquinha da Linda e depois as Festa da Senhora da Agonia.
Mil pessoas, mil bombos, mil cabeçudos, mil farturas, mil romarias.
Os barcos partem para largar flores aos perdidos no mar,
nós voltámos noite dentro com os fogos nas costas e sofrendo por simpatia.

Sunday, 24 August 2014

Blackout

Onde estamos não há lobos. Mas também não há net.

Portanto, vamos para o quintal do nosso T-0 com rodas
ver os fogos da Senhora da Agonia ali ao fundo.

Amanhã há mais.


Saturday, 23 August 2014

Que dia é hoje?







Não sei, não queremos saber e nem fazemos ideia do que se passa em Portugal.
Estamos perdidos entre as dunas e quilómetros de praia
onde fazemos cachorros com mostarda que acompanhamos com bom vinho branco.
Não queremos saber da pose,
só nos interessam os níveis mais baixos da pirâmide de Manslow.
Neste momento, somos uns animais.

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Friday, 22 August 2014

Tal como o Jim Harrison






Barking
by Jim Harrison

The moon comes up.
The moon goes down.
This is to inform you
that I didn’t die young.
Age swept past me
but I caught up.
Spring has begun here and each day
brings new birds up from Mexico.
Yesterday I got a call from the outside
world but I said no in thunder.
I was a dog on a short chain
and now there’s no chain.

Hoje sentimo-nos assim:
os great outdoors, o desvanecer do calendário e o alienar da rotina.
Tudo numa constante viagem entre o passado e o presente.

Thursday, 21 August 2014

Pescaria do Dia






Welcome to São Jacinto,
terra de pescadores, das dunas do Reininho e da adolescência de uma metade deste blog.
Estes vão ser dias de nostalgia e também de conforto em coisas simples.
Não precisa de ser à volta de uma fogueira com uma lata de feijões,
porque temos a sorte de poder voltar um dia e ir à Peixaria
comer as mesmas petingas fritas com arroz de tomate.


Uma realidade paralela





Num total lance de sorte saiu-nos uma pequena lotaria:
a Praia de Paredes de Vitória.
Demasiados "Arrêts" e "Vient ici", mas extensa e naturalmente selvagem 
para nos podermos isolar numa praia só nossa.

À noite espera-nos um local de dormida adequado a uma cena "From Dusk Till Dawn":
perdidos em pleno pinhal de El Rei D. Diniz, encontramos um parque quase vazio,
onde a música ao vivo revisita hits brasileiros e angolanos
e 2 ou 3 destemidos bailarinos atacam a pista de dança
num concerto que só eles abraçam.
Tínhamos de ficar. 

Às 3h da manhã ouvem-se latidos e o peso do não acontecer nada, 
apenas um mundo estranho. 

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Tuesday, 19 August 2014

Rodovalha-nos a nossa costa!





Miguel Esteves Cardoso, ainda não saltámos o muro mas asseguramos:
o Rodovalho da Tasca do Joel é majestoso. Ok, o Gin também.

Foi o combustível ideal para descer ao porto de embarque,
ter um furo na bicicleta e enfrentar as vagas de mar
que insistiam em devolver o peixe à sua origem.

Berlengas à vista (turistas incluídos) e tudo é esquecido.
Entramos imediatamente num episódio da Vida Selvagem e juramos,
do fundo da Ilha, quase se ouve a voz de David Attenborough. 

Monday, 18 August 2014

Bora Bora do Oeste


Partida, largada, fomos.
Temos 3 metros de altura, mais quilos do que os que queremos
e muita ansiedade na mala.

De Lisboa a Peniche com as Berlengas em mente,
os quilómetros passam de alvoraçados a velocidade cruzeiro.
Afinal, hoje é só o primeiro dia.

Sunday, 17 August 2014

O "X" marca a incógnita



Não marca o spot,
não marca o destino,
não marca o tesouro,
nem se quer marca o Joker.

O "X" sempre foi sinónimo de "sei lá"!
Sei lá o resultado da equação,
sei lá o caminho para Rego do Azar,
sei lá porque tenho medo de lobos.

A única coisa que sabemos é que amanhã vamos a caminho do nada.